sábado, 28 de dezembro de 2013

UTILIDADE E SIGINIFICADO



Assisti, recentemente no facebook, um vídeo do Padre Fábio de Melo, a quem admiro muito, em que ele aborda de maneira ímpar o assunto envelhecer. Achei inspiradora sua explicação sobre a beleza da inutilidade na velhice: “... só nos ama, só vai ficar até o fim aquele que, depois da nossa utilidade, descobriu o nosso significado”.
Coincidentemente, estava lendo por esses mesmos dias o livro “A Filosofia Perene”, do filósofo Aldous Huxley, e encontrei um texto creditado ao frade domenicano Eckhart de Hochheim que dizia o que se segue: “Deve amar a Deus como não Deus, não Espírito, não pessoa, não imagem; deve amá-lo como é, o puro Um absoluto, separado de toda dualidade e em quem devemos eternamente nos fundirmos de nada em nada”.
Inevitavelmente, essas duas fontes de inspiração se juntaram para criar conjecturas em minha cabeça. As três religiões fundamentais do Ocidente são teístas e dentro dessa pessoalidade vislumbrada de Deus parece prevalecer a concepção de Sua utilidade. Deus é aquele que nos conforta em nossa dor, aquele que nos redime com seu perdão, aquele que nos salva de nossas falhas, aquele que nos atende com seus milagres, aquele que nos guia em nossa falta de luz. Em todos os casos, Ele nos é útil.
Mas existe a concepção deísta do Criador, muito mais comum entre os orientais e algumas comunidades primitivas. Nessa forma de enxergá-Lo, aceita-se apenas que é um princípio criador e que determinou as regras da existência, não tendo nenhuma participação ou utilidade pessoal no momento presente. O deísmo parece compreendê-Lo muito mais como essência e significado do que como utilidade.
Então me pergunto: Será que nossa concepção teísta não nos leva a amar a Deus muito mais por sua utilidade do que por seu significado? Será que a concepção deísta não se aproxima mais da verdadeira compreensão sobre o Criador? Será que nossa adoração teísta não é a adoração de quem necessita dele em suas preces ou em alguma circunstância de nosso dia-a-dia? Será que não está na hora de nós, ocidentais, buscarmos uma melhor compreensão sobre a mística deísta da divindade no âmago de cada ser, sem a necessidade do Deus externo, que nos julga, pune ou premia? E, por fim, será que nossa concepção teísta será capaz, um dia, de amá-Lo em sua inutilidade, sem preces, pedidos, milagres, agradecimentos, promessas, lamentos ou culpa? Amá-Lo apenas em e por sua essência?

Autor: Alex Francisco Paschoalini
Reativando, ao menos temporariamente, o blog do Centro Elemental.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

DEUS SEGUNDO SPINOZA

"Pára de ficar rezando e batendo no peito! O que eu quero que faças é que saias pelo mundo e desfrutes de tua vida. Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo o que Eu fiz para ti.
Pára de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios que tu mesmo construíste e que acreditas ser a minha casa. Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nos lagos, nas praias. Aí é onde Eu vivo e aí expresso meu amor por ti.
Pára de me culpar da tua vida miserável: Eu nunca te disse que há algo mau em ti ou que eras um pecador, ou que tua sexualidade fosse algo mau. O sexo é um presente que Eu te dei e com o qual podes expressar teu amor, teu êxtase, tua alegria. Assim, não me culpes por tudo o que te fizeram crer.
Pára de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver comigo. Se não podes me ler num amanhecer, numa paisagem, no olhar de teus amigos, nos olhos de teu filhinho... Não me encontrarás em nenhum livro! Confia em mim e deixa de me pedir. Tu vais me dizer como fazer meu trabalho?
Pára de ter tanto medo de mim. Eu não te julgo, nem te critico, nem me irrito, nem te incomodo, nem te castigo. Eu sou puro amor.
Pára de me pedir perdão. Não há nada a perdoar. Se Eu te fiz... Eu te enchi de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos, de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio. Como posso te culpar se respondes a algo que eu pus em ti? Como posso te castigar por seres como és, se Eu sou quem te fez? Crês que eu poderia criar um lugar para queimar a todos meus filhos que não se comportem bem, pelo resto da eternidade? Que tipo de Deus pode fazer isso?
Esquece qualquer tipo de mandamento, qualquer tipo de lei; essas são artimanhas para te manipular, para te controlar, que só geram culpa em ti.
Respeita teu próximo e não faças o que não queiras para ti. A única coisa que te peço é que prestes atenção a tua vida, que teu estado de alerta seja teu guia.
Esta vida não é uma prova, nem um degrau, nem um passo no caminho, nem um ensaio, nem um prelúdio para o paraíso. Esta vida é o único que há aqui e agora, e o único que precisas.
Eu te fiz absolutamente livre. Não há prêmios nem castigos. Não há pecados nem virtudes. Ninguém leva um placar. Ninguém leva um registro. Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida um céu ou um inferno. Não te poderia dizer se há algo depois desta vida, mas posso te dar um conselho. Vive como se não o houvesse. Como se esta fosse tua única oportunidade de aproveitar, de amar, de existir. Assim, se não há nada, terás aproveitado da oportunidade que te dei. E se houver, tem certeza que Eu não vou te perguntar se foste comportado ou não. Eu vou te perguntar se tu gostaste, se te divertiste... Do que mais gostaste? O que aprendeste?
Pára de crer em mim - crer é supor, adivinhar, imaginar. Eu não quero que acredites em mim. Quero que me sintas em ti. Quero que me sintas em ti quando beijas tua amada, quando agasalhas tua filhinha, quando acaricias teu cachorro, quando tomas banho no mar.
Pára de louvar-me! Que tipo de Deus ególatra tu acreditas que Eu seja? Me aborrece que me louvem. Me cansa que agradeçam. Tu te sentes grato? Demonstra-o cuidando de ti, de tua saúde, de tuas relações, do mundo. Te sentes olhado, surpreendido?... Expressa tua alegria! Esse é o jeito de me louvar.
Pára de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que te ensinaram sobre mim. A única certeza é que tu estás aqui, que estás vivo, e que este mundo está cheio de maravilhas. Para que precisas de mais milagres? Para que tantas explicações? Não me procures fora! Não me acharás. Procura-me dentro... aí é que estou, batendo em ti."

Baruch Spinoza, filósofo holandês do século XVII

quarta-feira, 9 de maio de 2012

ORAÇÃO

Há quem pense que orar signifique pedir, implorar ou suplicar algo a Deus, mas proceder assim é superstição. Deus não é um Ser subornável que concede graças a quem as implora ou a quem Lhe faz oferendas, não atendendo a quem nada Lhe implora ou oferece. Deus não é um Ser que comete tal discriminação. Deus é "Lei absoluta do Universo" e, sendo assim, o homem não consegue mudar essa lei, por mais que suplique ou implore. Portanto, não adianta "orar" tentando comover Deus através de súplicas. Alguém poderá pensar que, sendo assim, a oração seja desnecessária. No entanto, orar é necessário para estabelecer "contato pessoal com Deus", para que o homem consiga se sentir uma unidade com Deus. Ao mesmo tempo que é "Lei absoluta no Universo", Deus também é a "Grande Vida", a fonte única de todas as vidas. Amor é a consciência de que "o outro e eu somos um". Por meio da oração, estabelecemos contato íntimo com Deus e conscientizamos o Amor. Em outras palavras, ao orarmos a Deus, despertamos nosso "Deus Interior" e sintonizamos com "Deus que rege o Universo". Conseqüentemente, despertamos nossa força infinita e a manifestamos. A oração não deve ser praticada com o objetivo de, através de súplicas, modificar o sentimento ou a vontade de Deus, mas para que nosso "Deus Interior" Se manifeste. Quando conseguimos sintonizar nossa mente com as vibrações divinas de Amor e bênçãos que preenchem o Universo, somos abençoados por Deus. Assim, orar não é implorar a Deus, mas sim uma forma de sintonizar nossas vibrações mentais com as ondas de bênçãos divinas. Para tanto, é necessário sinceridade e conhecimento da técnica de sintonização: quais palavras mentalizar em cada circunstância, para manifestar nossa natureza divina e recebermos as bênçãos de Amor repletas no Universo.
 
MASAHARU TANIGUCHI

domingo, 1 de abril de 2012

Solidão: a sua natureza interior

A solidão é uma flor,
um lótus florindo no seu coração.
A solidão é positiva, é saúde.
É a alegria de ser você mesmo.
É a alegria de ter o seu próprio espaço.

Meditação significa êxtase na solidão. Só se está realmente vivo quando se é capaz de estar só, quando não se depende de nada nem de ninguém, seja qual for a situação. E porque a solidão pertence a cada um, ela pode permanecer pela manhã, ao entardecer, de dia, à noite, na mocidade ou na velhice, na saúde, na doença. Pode permanecer na vida e também na morte, porque não é algo que esteja acontecendo externamente, é algo que brota em você. É a sua própria natureza, é a sua natureza interior.

Uma jornada interior é uma viagem para a solidão absoluta. Não é possível levar ninguém junto, não é possível compartilhar o seu centro com ninguém, nem mesmo com a pessoa amada. Não está na natureza das coisas e não há nada a fazer a respeito disso. No momento em que entramos em nós mesmos, todas as ligações com o mundo exterior são rompidas, todas as portas são fechadas. O mundo inteiro desaparece.

É por isso que os místicos dizem que o mundo é maya, uma ilusão. Não é que não exista, mas, para aquele que medita, aquele que entra, é como se o mundo não existisse. O silêncio é muito profundo - nenhum ruído penetra nele. A solidão é tão funda que é preciso ter coragem. Mas da solidão explode o êxtase. Dessa solidão surge a sensação de Deus.

O seu eu verdadeiro
A meditação nada mais é que um dispositivo para fazer com que você perceba seu verdadeiro eu, aquele que não é criado por você, que não precisa ser criado por você, o qual você já é. Você nasce com ele. Você é ele! Ele precisa ser descoberto. A sociedade não quer permitir que isso aconteça, porque o eu verdadeiro é perigoso: perigoso para a Igreja estabelecida, para o Estado, para a multidão, para a tradição, porque, uma vez que um homem conhece o seu eu verdadeiro, ele se torna um indivíduo. Deixa de pertencer à psicologia da multidão e não é mais supersticioso. Não pode ser explorado nem conduzido como gado, não pode mais ser forçado e comandado. Viverá de acordo com sua luz, de acordo com sua própria interioridade, e sua vida terá uma beleza e uma integridade imensas. É isso o que a sociedade teme.
as pessoas integradas se tornam indivíduos e a sociedade não quer que você seja um indivíduo. Em lugar da individualidade, a sociedade o ensina a ter uma personalidade. Esta palavra precisa ser entendida: sua raiz vem de persona, que significa máscara. A sociedade lhe dá uma falsa idéia de quem você é; lhe dá apenas um brinquedo ao qual você se agarra durante toda a sua vida.

Segundo Osho, quase todos estão nos lugares errados. Aquele que seria um médico imensamente feliz é um pintor e aquele que seria um pintor imensamente feliz é um médico. Ninguém parece estar no seu devido lugar e por isso nossa sociedade está tão confusa. As pessoas são dirigidas pelos outros e não pela sua própria intuição.
A meditação o ajuda a cultivar a faculdade intuitiva. Fica muito claro o que poderá preenchê-lo, o que irá ajudá-lo a florescer. Seja o que for, vai ser diferente para cada indivíduo, pois este é o significado da palavra: cada um de nós é único. Buscar a sua singularidade é uma grande emoção, uma grande aventura.


Fonte: Livro "Primeira e última liberdade" por Osho (ed. sextante)

terça-feira, 13 de março de 2012

Para minhas flores

Tentem acordar sempre de bom humor; o dia é longo.
Quando puderem, durmam até mais tarde, porque ninguém é de ferro.
Andar descalço é uma delícia.
Quando puderem, por favor, coloquem as meias.
Não deixem de olhar o mundo através do coração, mesmo que algumas vezes ele fique despedaçado.
Quando puderem, sempre procurem o mar e o campo; lá o coração pode ser colado.
Desconfiem daqueles que não acreditam no ser humano, mesmo que às vezes vocês mesmas duvidem.
Quando puderem, sempre procurem museus, teatros, livrarias, espetáculos de dança; lá a desconfiança evaporará.
A comida não é inimiga de vocês; se cuidar é importante, mas sem exageros.
Quando puderem, experimentem comidas novas, se deliciem com doces maravilhosos, comam acompanhadas de pessoas queridas; o melhor restaurante do mundo é aquele em que estamos rodeados de amigos.
Por mais que os outros falem algo ao contrário, posso garantir que vocês são linda por fora e por dentro.
Quando puderem, e espero que possam, ajudem aqueles que precisam de ajuda.
Os meninos ficarão encantados com vocês, mas não esqueçam que as meninas é que mandam.
Quando puderem, e espero que não muito, finjam que os meninos é que mandam; eles adoram essa ilusão.
O conhecimento é uma das ferramentas mais importantes da vida de vocês; nunca deixem de estudar.
Quando puderem, relaxem dos estudos; um pouco de alienação não faz mal a ninguém.
Olhem para seus pais e pensem que um dia vocês também o serão.
Quando puderem, liguem; para nós, vocês sempre serão nossas pequenas princesas.
Amizades vem e vão, irmandade é para sempre; cultivem a amizade entre vocês.
Quando puderem, reservem um tempo só para vocês conversarem e conviver; não deixem outras pessoas interferir no amor de vocês.
Nada é melhor do que uma boa noite de sono.
Quando puderem, e se valer a pena, passem a noie em claro, divirtam-se.
Escolham profissões nas quais a sexta-feira nçao seja o dia mais importante da semana.
Quando puderem, parem e reflitam sobre o trabalho que vocês escolheram; sempre há tempo para mudanças de rota.
Vocês buscarão a felicidade a milhares de quilômetros de distância, viajarão obsessivamente atrás dela e encherão baldes de lágrimas por não a encontrarem.
Quando puderem, olhem para o lado e para dentro; talvez a felicidade esteja mais perto do que longe.
Mas a busca incessante que farão para encontrá-la não será um desperdício; será a própria vida.

Texto de Ilan Brenman, escrito para suas filhas e extraído da Revista Crescer, edição 220.

RECESSO

Devido a mudanças na agenda, estaremos temporariamente em marcha mais lenta em relação às postagens. Esperamos acertar em breve a situação para continuar o ritmo de postagens que havíamos alcançado.

Alex Francisco Paschoalini

sábado, 28 de janeiro de 2012

A autêntica luta

Senti-me impelido a falar sobre esse assunto tão logo terminei de assistir mais um filme daqueles sobre pessoas que lutam contra corporações que agem de forma ilegal (e, geralmente sigilosa e acobertada pelos governos), pondo em risco uma comunidade, a humanidade inteira ou uma boa parte dela.
Como diversos filmes dessa temática foram baseados em fatos reais, sou levado a crer que essa situação é verdadeira e, até, bastante comum, embora pouco divulgada. Aliás, basta observar um pouco o que ocorre no planeta para concluir que isso acontece aos montes, sempre alicerçado no interesse político ou financeiro de vários grupos que dominam nosso mundo.
Nesse filme, o personagem consegue alertar as falcatruas danosas por meio da imprensa, mas na grande maioria das vezes os pequenos “Davi” que lutam contra esses enormes “Golias” geralmente morrem e são esquecidos por meio das desinformações que esses grandes grupos conseguem “plantar”, muitas vezes por intermédio da própria imprensa, grande parte delas financiadas pelos mesmos grupos.
Porém, o que me traz a esse assunto difere um pouco dos temas abordados nesses filmes. Quero saudar esses nobres guerreiros que enfrentam de peito aberto as grandes corporações em suas atividades potencialmente perigosas, ilegais e criminosas, mas quero lembrar de que a autêntica luta também deve fazer parte do horizonte de suas idéias.

As vitórias alcançadas nessas empreitadas, infelizmente pouco numerosas, são de grande importância, mas representam apenas o êxito de uma batalha, não da guerra (ou mesmo o fim dela).
É fundamental incluir em nossos objetivos a transformação do ser humano, guerra essa somente possível de ser travada no território interior de cada um.
É preciso trazer à consciência a compreensão de que nossos atos não acabarão com a vida ao nosso redor; aniquilarão a nossa espécie, isso sim!
Perdoem-me os que crêem que fomos criados para usufruir do mundo e daquilo que ele contém, mas a verdade é que se formos extintos, a evolução cósmica continuará seu curso, ou em nosso próprio planeta, através de uma outra espécie, ou em algum outro lugar nos confins do Universo.
Já é hora de descermos desse trono em que nos colocamos, sob a camuflagem enganosa de uma vontade divina, e entendermos que o propósito da Criação é muito maior do que nossa vã insignificância, a qual persiste muito mais por nossas escolhas do que por uma eventual posição na ordem da criação.
Se queremos ser realmente uma espécie relevante para o Criador, temos que fazer por onde. Temos que nos dar a oportunidade de continuarmos habitando esse planeta através de atos que envolvam a consciência holística da Criação, para, assim, podermos ser o diferencial de uma nova evolução, respeitando o meio tanto quanto exigimos respeito daqueles que nos cercam.
Olhar para dentro, vencer nossas falhas, nossas fraquezas, perceber nossa trajetória egoísta e mesquinha, nossos discursos infrutíferos não traduzidos em ações, nossas atitudes enganosas, divergentes de nossas palavras, são os primeiros passos dessa mudança não só necessária como fundamental e urgente.
Temos que compreender que só é possível nos colocarmos no lugar de “filhos do Criador” se agirmos como tal, sem querer justificar ou revindicar nossa condição privilegiada apenas por nos julgarmos por algum motivo, história ou mito no direito dela, sem condutas que correspondam com tal posto.
Sei que esse meu desabafo provavelmente não alcançará grande repercussão. Tenho algumas dezenas de leitores, talvez uma centena, quando muito. Mas isso não me fará desistir ou retroceder. Acredito nos ensinamento dos grandes luminares da humanidade.
Um deles, Jesus Cristo, disse em sua parábola do semeador que uma única semente que brote gerará outras trinta, cinqüenta, cem sementes. E assim sucessivamente.
Só espero que essa semente consiga frutificar e se multiplicar a tempo de evitar sua própria extinção.

(Autor: Alex Francisco Paschoalini)

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

O Deus de Mani


Que deus é esse que rotula sua criação apenas em polos opostos? Os bons e os maus; os justos e os ímpios; os santos e os pecadores; os que estão no caminho correto e os que estão no caminho da perdição.

 Que deus é esse que exige que sua obra o admire?

 Que deus é esse que, perfeito, cria-nos imperfeito e exige de nós a perfeição sob pena de sofrimento eterno?

 Que deus é esse que impõe sua imagem e transforma aqueles que não a aceitam em pessoas não dignas de suas bençãos?

 O Deus que eu concebo não é esse deus conduzido pelo ego, que quer que nos prostremos diante dele em reverência pelo fato de nos ter nos criado.

 O Deus que eu concebo é aquele que me fez criatura pronta a aprender e a cooperar com o desenvolvimento de sua criação e evolução.

 O Deus que eu concebo é aquele que, em sua infinita sabedoria, me deu o livre arbítrio de errar, acertar, consertar, cair, levantar, caminhar e, acima de tudo, buscar o equilíbrio que me torne consciente a ponto de poder sentir-me a parte exata que ele necessitava em sua obra.

(Autor: Alex Francisco Paschoalini)

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Aspectos do Paganismo

Outro ponto a ser desmistificado é o conceito de paganismo. Erroneamente, os pagãos são considerados não-religiosos, culturalmente inferiores, ateus ou mesmo adoradores do demônio.
Devido a tradição judaico-cristã, que pregava a existência de um único Deus, os gentios, como eram chamados pelos judeus, ou os pagãos, como foram denominados pelos cristãos, eram considerados povos sem conhecimento religioso, uma vez que professavam sua fé de forma politeísta e com deuses diferenciados em cada povo, embora suas mitologias fossem muito similares e repletas de uma sabedoria natural e primitiva.
Pagão, do latim paganus, significa homem do campo, e geralmente eram culturas cujo panteão de deuses incluía um deus principal, comumente representado pelo sol por seu poder de gerar vida aqui na terra, e pelas demais representações das forças naturais que influíam diretamente em suas vidas, como a tempestade e o trovão, o fogo, as florestas, os rios e mares, as montanhas, a lua.
Inclui desde os antigos povos da Mesopotâmia, do Egito e da Grécia, os povos celtas e nórdicos, as culturas africanas e indígenas das Américas e Oceania e diversas filosofias orientais, alguns casos, com as variadas formas da energia vital substituindo o conceito de um panteão de deuses.
Foram duramente perseguidos na Idade Média pela inquisição da Igreja Católica que julgava tais povos como adoradores do demônio por não acreditarem no Deus único da doutrina cristã e cultuarem um sem número de deuses e deusas, além da facilidade que tinham de compreender e controlar determinados fenômenos naturais.
Em sua maioria, sempre foram veneradores e respeitadores da natureza, usufruindo desta de maneira harmônica, tendo uma ligação muito mais estreita com ela do que as demais doutrinas ou culturas. Esse é o ponto alto do paganismo, muitos deles entendendo, inclusive, que a própria terra é um ser vivo, denominado Gaia, e que precisa ser preservado e respeitado por nós, meros habitantes dela.
A Filosofia Clássica Grega surgiu da analise racional da mitologia desse povo, essencialmente pagão. E, embora divergissem da maneira como essa mitologia explicava o mundo, seus pensadores respeitavam o arcabouço de conhecimento que haviam herdado dela e que serviram de base para o desenvolvimento de grande parte de suas idéias.
De minha parte, tenho muita admiração pelo conhecimento que as culturas pagãs tem da natureza e seus ciclos e de como utilizar ou manipular suas ervas e plantas. Também admiro o conceito cósmico de energia que as tradições orientais ensinam em suas técnicas meditativas ou ióguicas.
Vale lembrar, novamente, que o Princípio Agnóstico prevê a aceitação das diversas filosofias e a integração de suas doutrinas em busca de uma evolução equilibrada, mesmo que por caminhos diversos, sendo a cultura pagã um rico terreno para esse fim.

(Autor: Alex Francisco Paschoalini)

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

O que nos dizem os ateus

Um dos pontos fundamentais para a compreensão do Princípio Agnóstico e sua aplicação no Painel do Desenvolvimento Humano é a desmistificação de certos conceitos erroneamente alardeados pela sociedade. O primeiro deles é a questão do ateísmo.
Muitos acreditam que os ateus são pessoas “do mal”. Entendem que, por não acreditarem em Deus, só podem estar a serviço do “coisa ruim”. Essa concepção contraditória é facilmente eliminada se entendermos que o ateu não acredita em um poder sobrenatural ou num Ser Superior, seja ele bom ou mal.
O conceito maniqueísta de que aqueles que acreditam em Deus são do bem, enquanto que os que não acreditam são do mal, já mostrou-se fora da lógica e da racionalidade há tempos.
Em sua grande maioria, os ateus pautam suas atitudes numa ética universal não atrelada a princípios morais dogmáticos de nenhuma religião. São céticos por excelência e para eles, o Universo por si só se basta. Não é necessário algo que o comande, que o tenha criado ou que o represente.
Seu ceticismo é um dos responsáveis pelo grande afã de conhecimento, pela busca incessante de respostas que consigam suprir satisfatoriamente nossas dúvidas e esse é um dos pontos mais positivos, em meu ponto de vista, do entendimento ateu. Não aceitam a verdade revelada e definitiva; apenas aquela alcançada pela observação e racionalização, sendo, portanto, sempre abertos a novos aspectos e possibilidades.
Certamente, podemos alcançar altos níveis de evolução e desenvolvimento para a espécie humana se nos despirmos do preconceito insensato sobre aqueles que não julgam necessária a existência de um Ser Supremo e olharmos aquilo que eles podem nos ensinar em termos de conhecimento e convivência.
Afinal, partindo do princípio de que não há como provar objetivamente a existência ou não de Deus aos outros, respeitar a concepção ética daqueles que não acreditam é, no mínimo, bom senso.
Acima de qualquer crença, a harmonia se dará pelo respeito ao resultado surgido da soma das experiências subjetivas de cada um.

(Autor: Alex Francisco Paschoalini)

sábado, 31 de dezembro de 2011

Tempo de tolerância

O Centro Holístico Elemental encerra suas atividades de 2011 sugerindo um princípio de atitude para o Novo Ano e para os próximos: a tolerância.
Que, de agora em diante, cada um compreenda que a tolerância é o fio condutor da convivência harmônica.
Que, de agora em diante, cada um perceba os benefícios à saúde física e mental que a prática da tolerância pode nos trazer.
Que, de agora em diante, cada um entenda que tolerância não é sinônimo de passividade; ao contrário, é atitude constante de não aceitar o horizonte estreito e dogmático daqueles que se julgam donos da verdade.
Que, de agora em diante, cada um assimile que tolerância não é medo de enfrentamento; é, na verdade, a coragem de desafiar de peito e alma abertos um mundo onde a incompreensão e a brutalidade imperam e destroem.
Que, de agora em diante, cada um empregue a tolerância como viga mestra na construção do amor, da paz, da compaixão, da harmonia, do saber.
Que, de agora em diante, cada um cultive a tolerância de modo a diminuir um pouco nossas atitudes instintivas e impensadas e aumentar nosso nível de consciência.
Que, de agora em diante, cada um aceite que só a tolerância é capaz de produzir a diversidade, ingrediente fundamental para a evolução humana ao dar-nos a oportunidade de conhecer, analisar e acrescentar ao nosso cabedal de sabedoria alguns tesouros a mais, até então desconhecidos por nossa própria experiência.
Que, de agora em diante, cada um celebre a transcendência que tolerância é capaz de alcançar.
A todos, um feliz Ano Novo; e àqueles que aderirem à idéia de tolerância, feliz Novos Tempos.

(Autor: Alex Francisco Paschoalini)

sábado, 24 de dezembro de 2011

Sobre o Natal

Há muito já se tem falado que o Natal, hoje uma festa cristã, foi, na verdade, uma adaptação da festa pagã do nascimento do deus sol, no hemisfério norte. Por volta do terceiro século d. C., um concílio resolveu adotar como data de festejos do nascimento de Jesus de Nazaré o mesmo período usados pelos pagãos como forma de facilitar a conversão desses ao cristianismo.
Com a adoção do cristianismo por Roma e posterior difusão de sua doutrina por todo o mundo ocidental, a data passou a ser comemorada quase que mundialmente.
Independente de sua real origem ou dos destinos buscados em sua criação, o que realmente vale é analisarmos o que e quanto da simbologia esotérica do Natal tem sido preservado e quais os descaminhos que nos tem afastado de seu verdadeiro ensinamento.
É muito comum ouvir dizer que a imposição consumista que a época natalina traz às pessoas desvirtua o sentido da festa, mas a inflexibilidade dogmática também nos afasta de sua real finalidade.
Costuma-se dizer no meio cristão que as pessoas “esquecem do aniversariante” e preocupam-se apenas em festejar e trocar presentes, o que, em partes, não deixa de ser uma queixa verdadeira.
Mas mais do que “lembrar do aniversariante” é preciso fazer do Natal um lembrete de sua mensagem, que deveria estar presente diariamente em nossos atos. Mas do que simplesmente reverenciar o nascimento do messias é dar a oportunidade para que essa concepção de um novo nascimento tenha espaço para acontecer dentro de nós.
Dar a oportunidade de morrer o velho homem para nascer o homem novo; de encerrar um ciclo desgastado e esgotado para abrir um novo ciclo, repleto de possibilidades de evolução e desenvolvimento.
Muito além de reverenciar aquele que passou por esse planeta há dois mil anos é reverenciar a oportunidade de seu renascimento a todo instante dentro de cada um de nós. A possibilidade de nos divinizarmos a cada momento através de nossos pensamentos, palavras e atos.


(Autor: Alex Francisco Paschoalini)

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Imagine - Comentário

A música Imagine marcou o início de minha adolescência, quando descobri o conteúdo de sua letra e a semelhança de suas idéias com os meus ideais. Mais do que isso, ao afirmar não ser o único sonhador, John Lennon lembrou-me de que eu também não estava sozinho.
Sua letra retrata bem a concepção do Princípio Agnóstico, onde nada deve ser mais importante do que a harmonia. Nenhuma diferença ou conceito deve sobressair à convivência pacífica e enriquecedora, ao sentido de evolução.
Hoje, depois de muito estudar sobre os grandes luminares da humanidade, vejo que a letra dessa música apenas reproduz seus ensinamentos, embora algumas instituições religiosas encubram a percepção desses conceitos fantásticos com o véu do dogma, das regras e do ritualismo e muitos seguidores tapem seus olhos com a máscara do fanatismo, da pseudo-obediência e da intolerância.
Muitos a consideram utópica, mas penso que a utopia é o salto quântico que nos permite evoluir, mesmo que não atinjamos exatamente o que a utopia espera. Certamente, ao nos aproximarmos dela, criamos condições para darmos mais alguns passos em sua direção num futuro próximo.
Ainda acredito que, um dia, possamos viver sem precisarmos buscar o paraíso, pois compreenderemos que ele está dentro de nós; e que o conceito de inferno será apenas uma vaga lembrança na estante de nossa memória.
Um dia, as limitações das fronteiras, das raças e religiões, mesmo que elas ainda persistam em existir, não serão empecilhos para nos darmos as mãos; e deixem de ser usadas como desculpas ou permissões para subjugar, torturar ou matar.
Um dia, deixaremos de buscar a posição de possuidores e nos daremos por satisfeito ao sermos possuídos pela idéia de fraternidade humana, de convivência pacífica, ao conceito de que não possuímos absolutamente nada, posto que um dia partiremos daqui sem levar sequer o próprio corpo e a própria vida.
Que um dia, a solidão das idéias que antes me afligia se torne o elo estreito de ligação com toda a raça humana e com toda a criação.

(Autor: Alex Francisco Paschoalini)

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Imagine


Imagine não existir paraíso
Será fácil se você tentar
Nem inferno abaixo de nós
Acima apenas o firmamento
Imagine todas as pessoas
Vivendo para o hoje

Imagine não existir países
Não é difícil de conseguir
Nada para se matar ou morrer
E nenhuma religião, também
Imagine todas as pessoas
Vivendo a vida em paz

Você pode achar que sou um sonhador
Mas eu não sou o único
Espero que um dia você se junte a nós
E o mundo será um só

Imagine não haver posse
Eu me pergunto se você conseguiria
Sem necessidade de ganância ou fome
Uma irmandade da humanidade
Imagine todas as pessoas
Compartilhando o mundo todo

Você pode achar que sou um sonhador
Mas eu não sou o único
Espero que um dia você se junte a nós
E o mundo viverá como um só

Tradução livre da música “Imagine”, de John Lennon (1971)

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Princípio Agnóstico


Antes de explicar esse princípio é necessário compreender o correto significado do termo agnóstico. A expressão vem da palavra gnose, que significa conhecimento. Ao ser precedida do sufixo de negação “a”, concluímos que agnóstico é aquele que não tem conhecimento, ou aquele que admite não alcançar o conhecimento.
Como o termo trata da questão Deus, agnóstico é definido como aquele que, por não conseguir provar racionalmente a existência ou não de Deus, adota uma posição neutra, aceitando ambas as hipóteses como plausíveis.
Estendendo um pouco mais esse significado, agnóstico pode ser aquele que aceita os vários conceitos sobre Deus, que defendem ou refutam sua existência, como possíveis, uma vez que a experiência divina é algo muito subjetivo, longe do alcance da razão lógica e, portanto, uma vivência única e individual.
Não há como provar racionalmente a certeza extraída de sua subjetividade vivida às outras pessoas. Olhar um mapa jamais será igual a percorrer suas estradas e apenas aquele que percorre pode realmente dizer como é o caminho.
O Princípio Agnóstico é ponto fundamental para aqueles que pretendem trilhar a senda do Painel do Desenvolvimento Humano. É aceitar que todos os caminhos podem ser corretos mesmo que se tenha intimamente a certeza da retidão de sua estrada. É compreender que a fase em que se está em sua senda evolutiva não é necessariamente a mesma em que os outros se encontram e que, por esse motivo, a sua estrada é o caminho mais certo apenas para você que alcançou esse ponto de sua caminhada existencial.
Aceitar o conceito de Princípio Agnóstico é tirar o foco da questão caminho certo ou caminho errado e direcioná-lo para a questão maneira certa de percorrer o caminho escolhido.
Como disse Stanislaw Grof em seu livro “A tempestuosa busca do ser”, “...muitas pessoas ficam interessadas na dimensão mística de todas as religiões, percebendo que foi o núcleo místico da própria religião delas que chamou a sua atenção. Podem ver cada fé como um caminho diferente para o mesmo objetivo e desenvolver uma atitude ecumênica e universal, um tipo de espiritualidade planetária”.
Creio que se cada um adotar essa idéia de Princípio Agnóstico ao analisar seu entendimento religioso e o dos outros, ou seja, aceitar que nada pode ser definitivamente provado num assunto cuja subjetividade é o cerne da questão, teremos amplas oportunidades de um entendimento e uma conduta humana muito mais ética e harmoniosa.

(Autor: Alex Francisco Paschoalini)

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Se eu quiser falar com Deus - Comentário


A música de Gilberto Gil lembrada na postagem anterior é uma síntese da idéia elaborada pelo Painel do Desenvolvimento Humano quanto aos caminhos para se conceber o conceito de Deus.
Ao apontar para as várias maneiras possíveis de encontrar Deus, a letra dessa música expõe de forma clara, pelo menos aos meus olhos, das possibilidades de alcançar a compreensão do conceito através dos diversos caminhos, assim como destacou o texto do Painel.
Além disso, apesar de a última frase da música indicar a chance de alcançar algo completamente novo ao final do caminho, em meu ponto de vista, ao reafirmar o “nada” várias vezes seguidas, deixa transparecer sutilmente a probabilidade de não encontrar absolutamente nada realmente em seu término.
Essa é a deliciosa dádiva que um poeta de alto nível consegue nos presentear: alcançar em poucas linhas a síntese de uma grande idéia.

(Autor: Alex Francisco Paschoalini)

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Se eu quiser falar com Deus


Se eu quiser falar com Deus
Tenho que ficar a sós
Tenho que apagar a luz
Tenho que calar a voz
Tenho que encontrar a paz
Tenho que folgar os nós
Dos sapatos, da gravata
Dos desejos, dos receios
Tenho que esquecer a data
Tenho que perder a conta
Tenho que ter mãos vazias
Ter a alma e o corpo nus

Se eu quiser falar com Deus
Tenho que aceitar a dor
Tenho que comer o pão
Que o diabo amassou
Tenho que virar um cão
Tenho que lamber o chão
Dos palácios, dos castelos
Suntuosos dos meus sonhos
Tenho que me ver tristonho
Tenho que me achar medonho
E, apesar do mal tamanho,
Alegrar meu coração

Se eu quiser falar com Deus
Tenho que me aventurar
Tenho que subir aos céus
Sem cordas pra segurar
Tenho que dizer adeus
Dar as costas, caminhar
Decidido pela estrada
Que ao findar vai dar em nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Do que eu pensava encontrar
Autor: Gilberto Gil, 1980

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Afinal, em que eu acredito?

Normalmente, cremos ou desacreditamos do conceito de Deus em virtude daquilo que nos foi ensinado ou transmitido e, muitas vezes, não analisamos o que realmente significa a nossa crença ou descrença. Por esse motivo, vale aqui expor os conceitos principais que norteiam esse aspecto de nossas vidas. É uma forma de inciar a compreensão do caminho que escolhemos ou daquele que devemos começar a trilhar a partir de então.
Baseado na explicação dada por Richard Dawkins em seu livro “Deus, um delírio”, vamos apresentar as quatro formas mais comuns de enxergar essa questão.
Primeiramente, temos a crença teísta, ou seja, aquela que acredita na existência de um ser que não só criou como ordenou e cuida de sua obra, principalmente nos aspectos de premiação e punição em virtude das atitudes corretas e dos pecados, concedendo milagre aos bons, tementes e devotos e castigo aos desobedientes e pecadores. As doutrinas ocidentais monoteístas (cristianismo, judaísmo e islamismo) baseiam-se nessa maneira de entender Deus.
A outra forma de enxergar o Criador, chamada de deísta, é aquela que justamente o percebe como princípio de tudo, mas que não lhe atribui influência direta na vida das pessoas, sendo o prêmio ou a punição apenas uma conseqüência da maneira que cada um escolhe para adaptar-se às regras definidas quando da criação do Universo e que existirão até o fim dos tempos. São conceitos mais comuns para os orientais e acompanha grande parte dos cientistas não ateus.
Há também aqueles que compreendem Deus como o todo, sendo o Universo a imagem imanente do Deus transcendente. Não há divisão entre Criador e criação, sendo ambos aspectos opostos e complementares de um mesmo princípio. São os panteístas e abrangem a filosofia pagã e parte da filosofia oriental. Assemelham-se muito à idéia politeísta, onde os diversos aspectos da natureza são representados pela figura de um deus, criando um panteão de deuses. Vale lembrar, também, que os panteístas costumam entender que existe uma alma no mundo, geralmente conhecido como Gaia, a mãe terra.
Finalmente, existem aqueles que entendem que a natureza por si só se basta, não necessitando de um ser responsável mantenedor, de um criador ou mesmo de uma representação Dele para existir e são conhecidos como ateus.
Existem, ainda, algumas outras definições, assim como o pantiteísmo, o panenteísmo, o ceticismo, mas que são muito próximas a uma das quatro citadas.
É preciso citar, também, um conceito sobre o assunto que será abordado em uma postagem futura por ser de extrema importância para a idéia do Painel do Desenvolvimento Humano, mas que não pode ser encaixado exatamente em nenhum dos casos acima. É o conceito de agnosticismo, que muitos confundem com ateísmo. Ambos não são a mesma coisa e, por isso, demandam de um texto exclusivo para esse esclarecimento e mais alguns detalhes fundamentais dessa filosofia.
Todos esses olhares sobre o conceito de Deus são meios de o ser humano buscar a evolução. Todos têm seus pontos positivos e negativos, seus acertos e seus erros, e cada um de nós deve, primeiramente, tentar entender um pouco melhor todos eles e sentir qual nos toca mais enquanto humanos buscando um novo patamar de existência.
E, acima de tudo, compreender que um caminho, embora diferente dos outros, não os invalida nem os diminui. Compreender os caminhos também é, antes de tudo, aceitar a diversidade como mola propulsora da evolução. 

(Autor: Alex Francisco Paschoalini)

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Painel do Desenvolvimento Humano


Partindo do que foi explicado na postagem anterior, vamos falar sobre a idéia de criação de um mapa ou um roteiro para a evolução humana, onde todos os possíveis caminhos possam ser representados, para que cada um tenha a oportunidade de perceber aquele que mais lhe convém ou agrada.
O Painel do Desenvolvimento Humano seria uma espécie de atlas dos caminhos percorridos pelos grades luminares da humanidade, sejam sábios, cientistas ou homens santos, em busca de uma evolução maior, não no sentido tecnológico ou econômico que vemos hoje, já que esta evolução tem uma forte tendência auto-destrutiva, mas no sentido de evolução  humana verdadeira, de relacionamentos com os semelhantes, com o planeta e com o Universo. Aquela compreensão que nos permite saber exatamente onde nos situamos dentro da Criação.
Agrupar em um mesmo painel todos os princípios morais, sejam eles religiosos, científicos ou filosóficos, e estabelecer as melhores rotas que cada um pode percorrer, as semelhanças e as complementariedades que contém cada estrada, enfim, traçar um panorama ético da caminhada humana e uma proposta plural e segura para os passos futuros das pessoas.
Não é uma proposta para substituir aquela em que cada um se encontra, embora isso também possa ser alcançado, mas para reforçar a certeza no sentido de sua caminhada, uma vez que, hoje em dia, muitos são os que perderam o rumo e não sabem exatamente para onde estão indo.
Encontrar-se dentro de sua vida, da história de sua existência é uma das grandes dádivas que o ser humano pode alcançar e o propósito do Painel é dar essa oportunidade às pessoas.
Assim como no Mapa Mundi, é preciso se localizar na esfera de sua existência para compreender o melhor caminho a seguir ou a melhor maneira de chegar e trilhar o caminho que você decidiu seguir. Dessa forma, sua jornada será muito mais iluminada, bem-aventurada e consciente.
É esse o nosso propósito, o nosso objetivo principal!

(Autor: Alex Francisco Paschoalini)