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sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Aspectos do Paganismo

Outro ponto a ser desmistificado é o conceito de paganismo. Erroneamente, os pagãos são considerados não-religiosos, culturalmente inferiores, ateus ou mesmo adoradores do demônio.
Devido a tradição judaico-cristã, que pregava a existência de um único Deus, os gentios, como eram chamados pelos judeus, ou os pagãos, como foram denominados pelos cristãos, eram considerados povos sem conhecimento religioso, uma vez que professavam sua fé de forma politeísta e com deuses diferenciados em cada povo, embora suas mitologias fossem muito similares e repletas de uma sabedoria natural e primitiva.
Pagão, do latim paganus, significa homem do campo, e geralmente eram culturas cujo panteão de deuses incluía um deus principal, comumente representado pelo sol por seu poder de gerar vida aqui na terra, e pelas demais representações das forças naturais que influíam diretamente em suas vidas, como a tempestade e o trovão, o fogo, as florestas, os rios e mares, as montanhas, a lua.
Inclui desde os antigos povos da Mesopotâmia, do Egito e da Grécia, os povos celtas e nórdicos, as culturas africanas e indígenas das Américas e Oceania e diversas filosofias orientais, alguns casos, com as variadas formas da energia vital substituindo o conceito de um panteão de deuses.
Foram duramente perseguidos na Idade Média pela inquisição da Igreja Católica que julgava tais povos como adoradores do demônio por não acreditarem no Deus único da doutrina cristã e cultuarem um sem número de deuses e deusas, além da facilidade que tinham de compreender e controlar determinados fenômenos naturais.
Em sua maioria, sempre foram veneradores e respeitadores da natureza, usufruindo desta de maneira harmônica, tendo uma ligação muito mais estreita com ela do que as demais doutrinas ou culturas. Esse é o ponto alto do paganismo, muitos deles entendendo, inclusive, que a própria terra é um ser vivo, denominado Gaia, e que precisa ser preservado e respeitado por nós, meros habitantes dela.
A Filosofia Clássica Grega surgiu da analise racional da mitologia desse povo, essencialmente pagão. E, embora divergissem da maneira como essa mitologia explicava o mundo, seus pensadores respeitavam o arcabouço de conhecimento que haviam herdado dela e que serviram de base para o desenvolvimento de grande parte de suas idéias.
De minha parte, tenho muita admiração pelo conhecimento que as culturas pagãs tem da natureza e seus ciclos e de como utilizar ou manipular suas ervas e plantas. Também admiro o conceito cósmico de energia que as tradições orientais ensinam em suas técnicas meditativas ou ióguicas.
Vale lembrar, novamente, que o Princípio Agnóstico prevê a aceitação das diversas filosofias e a integração de suas doutrinas em busca de uma evolução equilibrada, mesmo que por caminhos diversos, sendo a cultura pagã um rico terreno para esse fim.

(Autor: Alex Francisco Paschoalini)

sábado, 12 de novembro de 2011

Aspectos da Ética e da Moral

Este texto é o ponto de partida para a idéia de Painel do Desenvolvimento Humano que será postado em seguida e analisada por vários ângulos de agora em diante. A apresentação, embora superficial, do entendimento filosófico sobre os termos Ética e Moral nos trará uma compreensão maior sob os aspectos diversos da busca humana por um sentido maior, seja este conhecido como Deus ou deuses ou apenas uma maior harmonia na convivência humana.
Primeiramente é preciso dizer que a etimologia de ambas as palavras lhe conferem um aspecto de similaridade. O termo latino moris e o termo grego ethos são entendidos como costumes. Mas aos olhos da filosofia, ambos possuem funções diferenciadas.
Moral são as regras de conduta de uma determinada cultura ou de um determinado grupo, enquanto que a Ética é o estudo teórico do conjunto de regras morais das sociedades humanas. O primeiro tem caráter subjetivo e social, enquanto o segundo tem um caráter universal. Seriam a prática e a teoria das atitudes humanas, a ação e o conhecimento.
Afirma-se que a Moral sempre existiu, visto que todo ser humano dotado de razão sabe distinguir o bem do mal no contexto em que vive.
A Ética, por outro lado, surgiu a partir da filosofia clássica na Grécia e serve para investigar e explicar as normas morais isenta da influência dos conceitos de tradição, educação ou hábito, fundamentando-se na lógica e na inteligência. É, por assim dizer, o bom senso do comportamento individual e coletivo.
Podemos concluir que a Moral é o ponto de origem da vida social enquanto que a Ética é o marco divisório da vida intelectual.
A partir desse ponto, passamos a analisar esses termos no aspecto do desenvolvimento humano, em especial, no que diz respeito às doutrinas religiosas e ao embate fé e razão, ou crença e ateísmo.
As instituições religiosas são as guardiãs da tradição, dos costumes e ritos e essa atitude geralmente esbarra nos conceitos morais primitivos de sua criação. Da mesma forma, suas doutrinas filosóficas protegem os dogmas que fundamentam a religião e são eminentemente tradicionais e moralista na grande maioria dos casos.
Até mesmo o conjunto dos membros, apesar de muitas vezes formarem linhas paralelas de atuação dentro do contexto de cada religião, como a Teologia da Libertação no caso da Igreja Católica no Brasil, e de ter parcialmente uma conduta mais voltada à ética, mesmo que contrariando alguns ditames morais por já estarem ultrapassados, ainda assim esbarram no dogmatismo ao qual são subordinados.
Resta, então, o indivíduo, seja ele crente ou descrente, religioso ou ateu, como fonte de evolução humana, voltando ao que já pregava Aristóteles, ao afirmar que o indivíduo é que deveria ser trabalhado.
Portanto, adaptando os conceitos ao ideal do Painel do Desenvolvimento Humano, Moral são os vários caminhos que podem ser percorridos, enquanto que Ética e a maneira de caminhar e o destino que esses caminhos devem levar.
Veremos onde isso realmente quer chegar no próximo texto.

(Autor: Alex Francisco Paschoalini)