terça-feira, 19 de maio de 2009

trecho do livro "caminho das flores"





O Labirinto

Vinícius estava deitado em sua cama quando ouviu um ruído vindo de dentro de seu guarda-roupa. Então, levantou-se para ver o que havia acontecido. Ao abrir a porta do móvel, deparou-se com algo inacreditável; por trás das roupas penduradas nos cabides havia uma entrada, uma passagem secreta que descia para algum lugar subterrâneo. O rapaz nunca havia notado a existência daquela passagem e, por impulso, resolveu entrar para ver aonde aquele caminho iria dar. Lá dentro, as galerias eram escuras, construídas com tijolos não rebocados e com o piso de cimento rústico. No teto, não havia acabamento nem iluminação e mesmo as paredes não tinham tochas para serem acesas, como se costuma ver em filmes. O mais engraçado era que, apesar de não carregar consigo nenhuma lâmpada ou lanterna, os lugares por onde o rapaz caminhava estavam sempre claros, como se houvesse sobre sua cabeça uma luz a acompanhá-lo, iluminando o ambiente todo ao seu redor, aonde quer que seus passos o levassem. Aos poucos, Vinícius percebeu que se tratava de uma espécie de labirinto, já que havia várias passagens que davam acesso a outros corredores, às vezes paralelos, às vezes transversais, no interior daquela intrincada construção. “Como eu nunca havia percebido esse esconderijo antes?”, questionava-se o rapaz. Era realmente intrigante como tal passagem nunca havia sido notada. Morava naquela casa desde que se lembrava por gente e jamais encontrara ou ouvira alguém falar sobre aquilo. Vez por outra, seus passos o levavam a alguns cômodos maiores que exibiam várias passagens para outras daquelas ruas entrelaçadas. Havia em Vinícius um certo deslumbramento por poder explorar o lugar, como se houvesse algo a ser descoberto, talvez um tesouro, no fim daquele complicado caminho. A curiosidade era aguçada a cada passo dado, aumentando a ansiedade por descobrir o desfecho daquela situação. Não havia vestígios de outras passagens secretas, apenas corredores, entradas, salas e mais corredores. “Quem conseguiu construir tudo isso aqui e por quê?”, tentava raciocinar Vinícius. “Não entendo para que serviria toda esta obra! Deve haver algum propósito pra isso tudo e eu tenho que descobrir!” Caminhou por um bom tempo tentando entender o que se passava até que os pensamentos cessaram e a luz começou a diminuir a sua volta. Nesse instante, todo o corredor escureceu e em alguns segundo tudo havia desaparecido de sua frente. Seus olhos estavam olhando para a penumbra de seu quarto. Havia, mais uma vez, sonhado com o labirinto. A idéia de uma construção subterrânea como essa, cuja entrada situava-se em algum lugar já conhecido, que não continha tal passagem quando acordado havia visitado suas noites de sono em outras ocasiões. E as sensações e dúvidas eram sempre as mesmas.

(Autor: Alex Francisco Paschoalini)

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