quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Nosso fim, nosso começo

Resgate de uma grande poesia musicada de Guilherme Arantes, de 1987, que fez relativo sucesso à época, mas, infelizmente, foi esquecida. Vejam que grande mensagem. Não seria um convite ao auto-conhecimento?


Talvez
O futuro nos prepare uma supresa
Um resgate nesta louca correnteza
Qualquer nave que nos leve
Pelo espaço, encontrar os deuses
Talvez
Um herói venha a surgir por entre as cinzas
Da ruínas se levante e alcance a glória
Na moral da hitória
O mito acabe com a razão
Mas a verdade está acima do bem e do mal
Nossa lógica furada é a arma mais mortal
A raiz de todo o erro
A medida desse medo de mudar e achar o avesso
Nosso fim, nosso começo

É a nossa visão congelada no tempo
Esperando as respostas caírem do céu
Acreditar nas lendas do que virá
É um álibi perfeito e tudo fica como está

Autor: Guilherme Arantes (1987)

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Êxtase: o ápice e o fim de um ciclo

Por quê a felicidade não é, nem nunca poderá ser constante? Porque nada pode ser constante, eterno. Algo constante se torna mundano. Um êxtase, um clímax, não pode ser constante, ou perde o sentido. Como você pode reconhecer o clímax como tal se ele estiver sempre presente?
Como pode saber que vive em constante felicidade se estiver nela sempre? Se não puder sentir tristeza, nunca irá saber que esteve feliz.
O oposto sempre será necessário, não apenas para se compreender algo, mas para valorizá-lo também.
É necessário sentir-se triste. É necessário sentir monotonia, angustia, decepção. Não é necessário se entregar a estes sentimentos, mas sim conhecê-los.
A partir deles, se valoriza seu oposto. Portanto, tão importante quanto estar feliz, é conhecer a tristeza também. Se a felicidade for sempre e apenas felicidade, ela perde seu sentido, seu propósito e passa a ser mundana.
Tudo que é constante, perde seu propósito e seu valor. Não que não o tenha, mas deixa de ser notado.
Tome a própria vida como exemplo. A vida é uma constante. Ela ocorre e se mantém e segue até o seu fim. Apesar de seus altos e baixos, a vida, enquanto estamos vivos, é sempre vida, e nada além disso. E por ser constante, poucas vezes notamos a sua beleza, o seu valor.
A vida é uma benção, um milagre. Mas por sua constância, por tê-la sempre presente, não a damos o devido valor. A não ser quando nos aproximamos da morte, seja pela partida de um ente querido, seja por uma doença, seja pela idade.
A partir disso, pode-se concluir que, como tudo mais no universo, a vida também só pode ser completa se conhecermos seu oposto. Apenas assim, poderemos apreciá-la em toda sua plenitude.
Apenas ao conhecer seu oposto, a morte, poderemos saber completamente o que é a vida.
A morte, portanto, é o ponto máximo, o clímax da vida! O momento em que tudo se fecha, onde tomamos o conhecimento máximo do que é a vida, onde ela alcança seu ápice.
Mas como podemos viver esse êxtase se ele se dará apenas na morte? Compreendendo e vivenciando a morte em seus aspectos mais profundos em nosso dia-a-dia. Percebendo que cada ciclo que se fecha é uma espécie de experiência de morte e deve ser celebrado com sua total completude.
Onde a vida deixa de ser uma constante e passa a ser seu oposto, podemos finalmente senti-la em toda sua plenitude.

(Autor: Jean Roberto Paschoalini)

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

O despertar da consciência


“De repente, tudo parece estar sem sentido! Já não sei mais quem sou, o que faço, porque faço, o que quero. Não sinto o chão sob meus pés e acho que nunca mais o tocarei. Tudo o que fiz e vivi foi em vão e me levaram a um beco sem saída. Quero achar um jeito de fugir disso, mas será que vou conseguir?”
“De repente, percebi que lentamente as coisas estavam tomando seu devido lugar. Tudo parecia ficar mais claro; as cores, mais nítidas. Há algo de bom brotando dentro de mim e me transformando, aos poucos, em alguém melhor. Espero que essa mudança dure para sempre!”
“De repente, notei que as coisas já não se encaixavam mais. Não queria mais continuar naquela rotina meio sem sentido. Teria que haver alguma maneira de passar pela vida compreendendo e vivendo mais seus significados. Não posso acreditar que a vida seja simplesmente nascer e morrer!”
“De repente, uma explosão de êxtase tomou conta de todo meu ser, de meu corpo, minha mente, minha alma. Já não sentia mais a densidade de meu ser. Não havia pensamento, não havia dúvidas, palavras. Só o total e completo encantamento. Era como se eu me expandisse do tamanho do Universo ou como se o Universo inteiro repousasse dentro de mim. Não havia mais separação entre meu eu e Deus!”
O despertar da consciência é algo que não pode ser quantificado ou qualificado, nem mesmo agendado ou prometido. Ele simplesmente acontece! Às vezes, de forma lenta, outras vezes, arrebatadora. Alguns sentem sua agradável chegada, outros, sua dolorosa fúria.
Tudo depende da experiência ou das experiências que o levaram a esse despertar; do estágio em que você se encontra no caminho evolutivo de sua existência; das pessoas que lhe deram e dão suporte; enfim, de uma infinidade de momentos e situações.
Porém, para todos os que viverem esse despertar haverá uma transformação. É o caminho sem volta da evolução do Cosmos, do Universo, da vida, do Criador. Todos nós passamos ou passaremos, em algum momento de nossa existência, por essa metamorfose.
Fugir desse despertar é apenas adiar sua chegada. E quanto mais se foge, mais muralhas terão que ser destruídas, mais trincheiras terão que ser suplantadas dentro de você mesmo para alcançar essa dádiva.
Que tal aceitar esse despertar, ou mesmo procurá-lo, a fim de tornar-se um ser humano mais consciente, mais harmonizado com bailar da existência.
Essa é a nossa proposta!

(Autor: Alex Francisco Paschoalini)

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Entrando em Emergência Espiritual


Animada por uma luz tênue
Ela se esforçou por obter mais luz
Até sua matéria se despedaçar,
Libertando-a exuberante.
Agora, flutuando alto,
Tremulando ao Sol,
Ela despreza a Terra.
Entenderá ela, algum dia,
Que a luz também está aqui,
Iluminando a terra,
Seus filhos, amigos e amantes,
Aqui e agora?

De uma mãe cuja filha passava por uma emergência espiritual, extraído do livro “A tempestuosa busca do ser”, de Stanislav e Christina Grof

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Respiração Holotrópica

Dando andamento ao Projeto Prisma, gostaríamos de falar um pouco sobre a principal ferramenta prática de nosso centro, a Respiração Holotrópica.
A base dessa técnica já foi citada na publicação “Técnicas de Meditação – 02” e nela fomos alertados por um de nossos leitores do fato de não termos citado o psiquiatra tcheco Stanislav Grof.
Na verdade, a técnica foi trazida do Oriente e desenvolvida de forma paralela e semelhante por alguns interessados no assunto, como o americano Leonard Orr. Em nosso caso, o contato com ela veio através de uma escola indiana e que a denominava Respiração Circular.
De qualquer forma, os experimentos feitos por esses estudiosos elevaram a técnica a um patamar de grande importância no tratamento psico/físico do indivíduo através da utilização das chamadas forças espontâneas de cura.
Grof é um dos mais entusiastas estudiosos do assunto, agregando à técnica alguns aspectos xamânicos e conhecimentos primitivos dos grandes curandeiros.
A catarse provocada pela técnica pode ser capaz de trazer ao indivíduo curas e compreensões profundas sobre si mesmo, principalmente àqueles que estão passando pelo que Grof chama de Emergência Espiritual.
Em nosso Centro, usamos a técnica para despertar um estado alterado de consciência onde o indivíduo consegue defrontar-se com sua história passada ou com seu universo existencial infinito e, a partir disso, ressignificar os fatos, amenizando traumas, diminuindo dores, curando medos e fobias, compreendendo seus potenciais inatos, enfim, tornado-se mais completo e auto-consciente.
Alguns elementos novos estão sendo adicionados à técnica no intuito de otimizar os resultados e os participantes têm a oportunidade de não só experimentar como também assistir de forma participativa a aplicação da terapia, no intuito de compreender melhor seus efeitos e benefícios.
Esperamos, com isso, alcançar novos horizontes no desenvolvimento humano para nosso grupo e que este leve adiante a mensagem para as pessoas de sua convivência.
Se você também busca algo mais para sua existência, está convidado a conhecer nosso trabalho!
(Autor: Alex Francisco Paschoalini)

sábado, 20 de agosto de 2011

Para meu pai


As pessoas tem o costume de dizer que, onde quer que você esteja, está me vendo e vivenciando cada uma das minha experiências. Não sei se é realmente assim mesmo. As vezes gosto de pensar que sim, que ainda participo de sua existência e você da minha, de alguma maneira.
Mas prefiro pensar que sua consciência - não, sua essência - seguiu em frente, e não se prendeu a mim ou a nada aqui. Pois não gostaria que seu espírito se prendesse a este mundo, quando deve seguir em frente, rumo ao próximo passo de sua existência.
O que você foi pra mim, o que significou, vai sempre estar presente aqui dentro. Você é parte de mim, e me ajudou a me tornar o homem que sou hoje. Gosto de pensar que você seguiu em sua jornada acreditando que me preparou o suficiente para andar com minhas próprias pernas e seguir com a minha vida.
Onde quer que você esteja espero que saiba que mesmo que sinta orgulho de mim, isso não se compara ao orgulho que eu sinto por ter vivido ao seu lado, por ter aprendido tanto com você e por ter tido você como amigo, companheiro e, principalmente, como pai.
Um dia desses, a gente se encontra de novo.
Amo você.

(Autor: Jean Roberto Paschoalini – publicado em seu Facebook)

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Auto-conhecimento ou auto-ajuda?

        “Conhece-te a ti mesmo”
                   Inscrição que era vista
                   na entrada do
                   Templo de Delphos,
                   Grécia

Outro assunto que costuma causar confusão entre os menos avisados é a diferença entre auto-conhecimento e auto-ajuda.
Quero deixar claro, antes de mais nada, que nosso centro especializa-se em métodos para desenvolver o auto-conhecimento.
O que os difere, então?
A auto-ajuda baseia-se em técnicas que permitem com que as pessoas busquem melhores condições externas, tais como um melhor emprego, um relacionamento amoroso, melhor condição financeira ou social, melhora na saúde, etc.
Analisando o que foi dito no texto “Projeto Prisma”, a auto-ajuda colabora com uma ou duas cores do espectro de nossa personalidade. Por isso, um ganho alcançado pela auto-ajuda nem sempre torna a pessoa mais completa ou evoluída, já que satisfaz apenas parte do ser humano.
O auto-conhecimento, no entanto, age diretamente na essência do indivíduo. São técnicas que buscam trazer a luz nossas potencialidades e limitações. É um processo exclusivamente interno, de valorizar a fonte essencial e divina de cada um.
Ao compreendermos nossas potencialidades podemos desenvolvê-las e, paralelamente, percebendo nossos limites, podemos transcendê-los e ampliá-los, tornado-nos pessoas melhores.
Ter um bom emprego, ser bem relacionado nos vários aspectos sentimentais e sociais, ter uma vida financeiramente próspera, estar saudável física e mentalmente, acabam sendo conseqüências naturais dessa atitude de conhecer-se a si próprio, embora alcançá-las geralmente não seja o grande objetivo de quem atinge tal estágio.
A meta maior sempre será tornar-se um ser humano mais desenvolvido enquanto parte de um todo maior, mesmo que viva em condições humildes e com a saúde emocional e espiritual bem mais ajustada que a física.
Talvez possa parecer que sou contra textos ou técnicas de auto-ajuda. De maneira alguma! Elas tem seu espaço, seu valor, seu público cativo e, em certos momentos, sua grande importância. Porém, é fundamental que se compreenda o que é uma coisa e o que é outra.
Grande parte da confusão sobre o assunto é de responsabilidade da mídia, que, mal informada ou mal intencionada, acaba por colocar tudo o que se refere a ambos num mesmo balaio. E os desavisados, muitas vezes acabam comprando gato por lebre, trazendo um grande prejuízo àqueles que buscam seu verdadeiro crescimento individual, preso nas esferas da ascensão social ou pessoal proposta pela auto-ajuda.
Enquanto a auto-ajuda tende a ser imediatista, em parte, como reflexo de nossa sociedade atual, o auto-conhecimento pode levar tempo, uma vida inteira às vezes, para alcançar seu ápice. Porém, depois de alcançado, não há mais o que o derrube.
Parafraseando o chinês Lao-Tsé citado pelo indiano Osho, “… o sábio, por não competir com ninguém, jamais será derrotado”. Alcançar esse estágio de compreensão certamento o tornará um sábio.
Por isso, nossa proposta é baseada no auto-conhecimento, nas técnicas e conceitos que possibilitarão a cada um alcançar o âmago de seu ser e, ao atingir tal estágio, permitirão acontecer o processo de crescimento e evolução pessoal, espiritual e da humanidade como um todo.
(Autor: Alex Francisco Paschoalini)

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Ser Místico

O que é ser místico?
Há muita confusão quando o assunto é misticismo, ou seus adeptos, os místicos. A primeira imagem que vem à mente é a daquele indivíduo vestido com roupas exóticas, olhar distante e frases sonhadoras ou desconexas. Ou pior, a imagem daqueles charlatães que se trajam de maneira pouco usual e usam de uma linguagem que procura ludibriar os que o ouvem.
Mas ser místico não é isso, assim como ser médico não é apenas se vestir de branco e usar um estetoscópio em volta do pescoço, dando nomes complicados para definir a situação de sua saúde.
O místico, desde os primórdios da humanidade, é aquele ser que não se contenta em se acomodar em conhecimentos superficiais ou cotidianos, pois sabe que a vida sempre lhe cobrará o preço de seu comodismo ante a extraordinária possibilidade de evolução.
Geralmente, são os primeiros a buscar respostas àquelas perguntas que a grande maioria nem sequer ousa fazer.
Ser místico é querer compreender os mistérios. E mistérios não são exatamente aqueles questões eternamente sem resposta. São enigmas ainda não resolvidos pela mente humana, quer seja sobre o mundo que o cerca, sobre o Universo como um todo, sobre as razões da vida, etc.
Portanto, místico não é somente aquele que vive a procurar fadas e gnomos, mas é aquele que aceita e se propõe a compreender aquilo que ainda não está ao alcance do nível de entendimento humano de sua época. Graças a esta semelhança, podemos dizer que, em essência, o cientista é um místico por excelência.
O fosso que se abre entre místicos e cientistas está arraigado no senso comum que define os primeiros como lunáticos, que buscam somente o sobrenatural, e os segundos como materialistas, que só aceitam aquilo que pode ser tocado e provado fisicamente.
Mas os cientistas estão avançando suas investigações para muito além daquilo que o senso comum entende por matéria e os místicos estão embasando suas filosofias em pressupostos muito mais sólidos do que imaginam os descrentes.
A diferença é que o cientista busca seu conhecimento pelo empirismo ou por desenvolvimento e teste de teorias. Já o místico, muitas vezes, lança mão de sua intuição para compreender os fatos, mesmo que não tenha como comprová-los objetivamente naquele momento.
É preciso estreitar o laço de convivência dessas duas vertentes em nome de um desenvolvimento maior do ser humano, usando a racionalidade como apoio e a intuição como impulso a novas descobertas.
Tornar o cientista um autêntico místico e o místico um real cientista!
(Autor: Alex Francisco Paschoalini)

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Projeto Prisma

Projeto Prisma é um novo conceito para o Desenvolvimento Humano baseado na idéia do livro “Sociedade dos Sete Caminhos”, de minha autoria.
A idéia central é trabalhar no ser de forma integral, usando como ponto de referência a essência de cada pessoa, aquela fonte a qual chamamos de centelha divina.
Assim como no prisma, onde a luz que incide sobre ele se divide em um arco-íris num efeito conhecido como refração ou difração, a luz interior de cada indivíduo, ao refletir no mundo exterior, se divide nas nuances criadas como sua personalidade.
Somos diariamente decompostos em várias facetas ou personas: o ser familiar, o ser profissional, o ser social, o ser amante, o ser guerreiro, o ser companheiro, o ser religioso. Mas a fonte de todas essas máscaras sociais continua sendo uma única. Portanto, assim como o prisma de cristal, decompomos a luz divina que nos alimenta em vários semitons e o propósito do projeto é justamente o desenvolvimento do indivíduo pela fonte.
Tratar dessas nuances separadamente pode até ser útil em alguns aspectos, mas a verdadeira evolução se dá quando cuidamos do nosso ser como um todo. Quanto mais forte for a luz em sua origem mais intensa será qualquer uma de suas cores.
A proposta é a busca pelo auto-conhecimento através de meios teóricos, com conversas filosóficas, teológicas e científicas, e por métodos práticos como exercícios de meditação e dinâmicas para o despertar da consciência, baseado nas técnicas já citadas nesse blog e do despertar xamânico sugeridas pelo psiquiatra tcheco Stanislav Grof em suas obras sobre o assunto.
Fortalecendo a essência, intensificamos positivamente todos os aspectos da pessoa, revelando sua verdadeira qualidade como pai, mãe, filho, filha, marido, esposa, irmão, profissional, colega, amigo, companheiro, enfim, como um ser humano completo.
Queremos, com isso, ajudar as pessoas e, como conseqüência, a nós mesmos, a galgar mais um degrau na escada da evolução humana ou, ainda, na escada da evolução do universo como um Todo.
Em postagens futuras exporemos um pouco mais sobre como deverá ser desenvolvido esse projeto, que acreditamos ser profundo e valioso.
Se você é como nós e acredita ser possível aquilo que muitos chamam de utopia, continue nos visitando e tomando contato com essa idéia.
(Autor: Alex Francisco Paschoalini)

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Dimensões Humanistas

O Humanismo, uma linha filosófica surgida no final da Idade Média, tem como base três aspectos importantes de desenvolvimento humano, conhecidas como a tríplice dimensão da Pessoa Humana: a consciência, o amor e a liberdade.
Embora seja uma escola que coloque o ser humano no centro, o que contraria um pouco a visão holística, suas premissas principais buscam a ética e o desenvolvimento das relações humanas.
Pois bem! Vamos analisar individualmente suas dimensões e ver o que podemos extrair desse aprendizado, agregado ao holismo.
A dimensão da consciência é a transcendência da soma de nossas experiências, o ultrapassar das fronteiras estabelecidas por nossos conhecimentos empíricos ou vivenciais. Ao darmos ênfase a essa nossa dimensão, acabamos por conseguir suplantar os limites da ciência e alcançamos a compreensão de nossa essência mais profunda.
A partir do momento em que se compreende essa idéia, percebe-se que todos nós somos frutos de uma mesma substância fundamental e que por isso, em essência, somos todos um só, embora a superfície seja composta de histórias diferentes, contextos individuais, etc.
É onde entra a dimensão do amor, aquela que nos conduz ao altruísmo, a viver o Eu e o Tu na extensão do Nós.
Existe, é claro, uma individualidade advinda de nossa herança genética, de nossa experiência de vida, de nossos erros e descobertas, mas é justamente ao compreender que essa singularidade é apenas a capa que encobre nosso âmago, que nos alimenta a ilusão de separar-nos naquilo que somos inseparáveis, é aí que nos aceitamos em nossa condição de humanos. É aí que permitimos que o outro possa viver como outro, mesmo sendo um conosco.
Entramos, finalmente, no domínio da dimensão da liberdade, aquela que vai além do mero entendimento de que posso fazer qualquer coisa.
A liberdade é a mais ambígua das três dimensões, uma vez que nela seu prêmio pode ser também seu preço. Vivemos em busca desse ideal, embora ele não nos seja possível como conceito puro, já que interagimos com nosso meio social e acabamos por cumprir regras, mesmo que inconscientemente.
Mas é justamente ao alcançarmos nossa liberdade dentro de um contexto de regras, ao transcendermos o entendimento de limitação que uma regra pode nos impor, é que conseguimos realizar essa dimensão humana.
Em resumo, a observação ética dessas dimensões, a aplicação consciente desses aspectos de cidadania, são a chave para uma compreensão humanista da vida, quer seja social, individual, cultural ou espiritual.

(Autor: Alex Francisco Paschoalini)